segunda-feira, 10 de outubro de 2011


Te desejo com lábios sedentos, como a terra seca deseja a água. Te desejo com uma força incalculada. Te desejo com a carne e com o coração. Te desejo como a força de um perdão. Te desejo tão intensamente como um mártir no extremo de sua sofreguidão. Te desejo como a alvorada a manhã pede. Te desejo com uma esperança que não cede.  

Luana A.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

pena

estou pagando uma pena, uma pena que eu me imponho pra suportar a falta que eu sinto de mim. se eu pudesse parar com essas reviravoltas aqui dentro, calar um momento minha mente, desligar todos os meus sentidos e me soltar no vácuo, sem som, sem ar, sem voz, no escuro, no vazio. e me sentir mais cheia de mim do que do resto. deixa eu segurar sua mão até passar todo meu medo, vem me salvar dessa confusão, eu sei que posso confiar em você, eu sei que te tenho pra sempre.

mas não espere o mundo me engolir, não espere. não me deixe tão só. preciso apenas me jogar e voltar, e quando voltar apenas quero te ver onde sempre esteve, a me esperar. não deixe que eu me perca, não deixe eu me anular assim, só preciso calar todas essas vozes que me comandam, e deixar uma me guiar, e tudo que eu realmente quero aparecerá claro como sempre deveria ser.

e mesmo que a noite engula todas as minhas esperanças, mesmo que essa tempestade toda seja muito grande para um copo d'água, para uma vida tão pequena, eu sei que posso sair inteira, e com todas as feridas cicatrizadas.

preciso apenas me jogar e voltar, e quando voltar apenas segurar sua mão. não deixe que eu me perca, não deixe eu me esquecer assim, só preciso calar todas essas vozes que me comandam, e deixar uma me guiar, e tudo que eu relmente quero será meu.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

if my heart could be torn off, I would be fine


como brincar de não ser algo, ser nada. brincar de pique esconde com a própria alma, se perdendo de si mesmo. engolindo todas as mágoas, como se mágoas não tivesse, como brincar de não ser o que é, de ser ninguém. ser as vezes mais, as vezes menos do que ostenta. lançar lágrimas num chão de açúcar, e quebrá-lo todo a sua volta, sem sentimentos, sem dor, e de toda aquela paz, cair em si, no abismo entre a realidade e o sonho, onde tudo que é sonho parece tão real e tudo que é real parece sonho, e que segura dentro de si a verdadeira cara, ou posso dizer o verdadeiro 'eu', para jamais tornar-se, diante de outrem, um fraco, um derrotado. com chama nos olhos, passos decididos, como se realmente aquilo significasse tanto, mas no fundo não representa nada. desleixo, impaciência, imoralidade, inconsciência, irresponsabilidade, irritabilidade. se perguntando todo dia “pra que nascer? morrer pra quê?”, como se fosse mudar todo esse peso infernal que parece não sumir dos ombros. como um peso de mentira mal contada, de noites mal dormidas, de perdas mal superadas, de nojos mal compreendidos, de história mal lembradas, de dias mal vividos, de arrependimentos mal aceitos, de perdões mal pedidos, de tarefas mal acabadas, de decisões mal tomadas. é como não ligar pra nada e para tudo ao mesmo tempo, como se nada fizesse tanto sentido quanto fez ontem, e vice-versa. e todos os sorrisos se fecham e aquele pequeno feixe de luz de repente se apaga.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

I let it fall, my heart


Quando eu abri os olhos naquela manhã, parecia que algo diferente estava dentro de mim. Talvez vazio, e eu ficava me perguntando o que teria ocorrido com aquele pobre coração, talvez de tão perturbado e cheio, de tão cansado, finalmente se esgotou. Sonhava com as belas paisagens e um grande amor, acordava com aquele mesmo gosto de nada, deitava pra voltar para o sonho e ver se meu coração respondia.
Me acostumei com a história de um coração calado, sem graça, pacato e acostumado a bater conforme suas funções. Parecia que ele ia ficar dormindo lá, quieto, quando de repente eu me pego pensando e respirando fundo para conter calada aquele sentimento que parecia ressurgir das cinzas como uma fênix, me atingir bem no peito como uma bala a queima roupa e a arder novamente.

domingo, 3 de abril de 2011

Palavras que não foram escritas em um chão de areia


Você se completa sentindo-se assim, mesmo estando numa paixão ou sem paixão alguma. Se completa fugindo ou ficando, mas no fundo isso vai gerar algum vazio inexplicável e você vai buscar novamente algo que te torne melhor do que se sente agora. Então corra e não se sinta como um nada no meio do mundo, não deixe ele te esmagar porque pra mim você pode ser sempre a melhor parte em minha vida, então não deixe esse mar de desilusões te afogar.
Pois bem, você constrói sua fortaleza e aqui estou eu para segurar os muros. Você chora e aqui estou eu para enxugar suas lágrimas. Você dorme e eu velo teu sono. Você grita e eu te abraço. Você sorri e eu te admiro. Você luta e um dia eu escreverei um livro.
E eu não ligaria se me permitissem a eternidade ao seu lado, porque seria o único lugar onde eu desejaria ficar. Mas ainda não quero a eternidade, quero te fazer sorrir enquanto a vida me permite, quero te fazer feliz. E quando chegar o dia do meu encontro com ela, que eu possa levar comigo a lembrança da sua alegria e que essa seja minha última marca em você nessa Terra.

Se isso for tudo, talvez seja muito pouco.
Luana A.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Dias de solidão


Ela parecia desligada, com aqueles brilhantes olhos negros perdidos no horizonte, eu estava bem ali a sua frente observando sua expressão tão vazia. O sol estava a pino, as ruas sem uma alma sequer, e ali naquele cômodo só eu e ela. Arriscava uma pergunta, recebia um aceno com a cabeça ou até mesmo um ligeiro sorriso angustiado como resposta.

Buscava um contato visual, fugia. Quando percebi a lágrima caiu e um som curto e baixo rasgou o silêncio, soluços presos e dolorosos. Secou seu rosto rudemente e tornou a perder-se no horizonte, agora parecia mais vazia.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Imagination, just it.

Soava como primavera, aquelas flores firmes, a tarde fresca desejando nunca acabar e eu buscava em seus olhos as respostas para tudo que explodia em meu coração. O sol seguia seu declínio mostrando-nos o fim daquela tarde, corando as nuvens levemente de rosa, e toda aquela paisagem tomava tons mais alaranjados.

O vento soprava lentamente e as árvores pareciam dançar a nossa volta, e as folhas voavam sobre o lago colocando-se em meio aos pássaros. Quando o vento tocava seus cabelos, eles se soltavam e se entregavam delicadamente aquele toque e era fabuloso te ver ali.